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#Enferrujado


     No começo do ano pedi uma luminária para minha mãe mesmo sem ter uma mesa onde colocá-la, mas aí mudamos o jeito como o meu quarto era e consegui um lugar bom para ela ficar - do lado da cama, em cima da televisão. O lugar foi bom porque eu durmo na parte de cima da beliche, então estou a meio braço de alcançar o botão.
     Depois dessa mudança eu passei a deixar meu caderno-de-capa-vermelha embaixo do meu travesseiro para eventuais casualidades.
     Antes de ter a luminária, dia 31/12/2010, por volta de 3am, fui perturbado por uma ideia tomando forma que não me deixava dormir. Não lembro bem a ideia geral para que o texto tomasse corpo, mas foi algo assim:

 - Mas são tantos desencontros, tanta correria, tanta tecnologia: RTs, DMs, DPD - Deixa Pra Depois. Vou na contra-sorte. Preciso de uma luminária para momentos como estes, mas não, não vou acender a luz! A ideia que fique quietinha ou se lance ao emaranhado de outras tantas ideias e frases geniais condenadas a ficar no limbo criacional em que se transforma minha cabeça quando me preparo para dormir.

     Pode ser que eu volte e crie um começo e um desfecho para justificar tal meio. Até lá, querido leitor, melhor continuarmos na contra-sorte.

#Breviações


Contemplo a curva do rio
com olhos que não vacilam
Atrevo-me a te esperar
no hiato onde nos perdemos

Vem a brisa e já me leva
sem que eu possa resistir
me arrasta e me desperta
pra enganar e então fugir

E te esconde em outros risos
mas escuto, se não, tua voz
a dizer em longos suspiros
Terna sorte, onde estás?

E te prende e me afasta
gira mundo se te basta
noite alta barra a luz
mais um sonho me seduz

No rio onde me vejo
eu só quero me perder
Nessas águas claras, frias
vou ao fundo te esquecer.
- Gabriel Chacon, 11/11/2007

#será?


LÉO (voice over) – Dizem que durante as madrugadas o cérebro de algumas pessoas torna-se mais aguçado, produtivo... É sempre um ótimo momento para criações, descobertas; visitas ao fundo de si mesmos trazendo à tona músicas, sonetos, livros completos. (pausa) Não no meu caso. (câmera focaliza a janela aberta de um pequeno complexo residencial de apartamentos. Uma luz acesa nessa janela, uma figura masculina debruçada no beiral. A câmera se aproxima e então pode-se ver o narrador Léo) Eu não sou nenhum tipo de jovem revelação talentosa, tampouco desenvolvi alguma teoria revolucionária. Estou por aí, indo e vindo, tentando sacar qual é a disso tudo, entende? Meu trabalho é comum, num lugar comum, cercado por outras pessoas comuns. Mas aí de repente vem aquela sensação de que falta alguma coisa, de que não é bem por aí e que a vida tem, sim, mais a oferecer. Já sentiu essa sensação antes?

TÚLIO (voice over, até debruçar-se na janela também) – Já, é fome. Você viu meu isqueiro por aí?


Léo entrega o isqueiro. Os dois acendem um cigarro e ficam olhando a cidade.

Corta para abertura.

#Breviações


EU: Uma coca, por favor.
ELE (sentado do lado): Sabia que coca-cola derrete os dentes?
EU (olha): Como é que é?
-chega a coca. bebe.
ELE: E também desentope pias.
EU: Seu café não é a escolha mais saudável deste lugar.
ELE: Esse café é de uso terapêutico.
EU: Minha coca é recreativa.
-termina de beber, paga e sai.
ELE: É muito feio sair sem se despedir.
EU: Você não se cansa disso?
ELE: Ser irresistivelmente cativante?
-pausa-
EU: Juro que se estivesse com tempo a gente passaria a tarde toda enumerando minhas impressões sobre você, mas preciso ir.
ELE: Tão cedo para um adeus.
EU: Seu lirismo é notável, mas não me convence às três da tarde.
ELE: E o que é preciso? Meia luz, meia garrafa de um vinho meio caro, meia música de um artista meio conhecido?
EU: Nem tanto. É só deixar a porta meio aberta.
-ônibus vindo-
EU: É com este que eu vou. (estende a mão) Aqui está o que veio buscar: até logo.
ELE: Não é bom começar algo já se despedindo.
EU: E quem disse que estamos começando algo?
ELE: E não?
-olhares, ônibus, partida-

#Breviações


PAR OU ÍMPAR

Estive ímpar por muito tempo
Até que nossas vidas paralelas
distraídas
Entraram no mesmo atalho.

Impassíveis,
Deixamos nos envolver
Unindo partes e pensamentos
Imparciais.

Partimos numa aventura
Dispostos a viver nosso sonho
E a sonhar uma nova vida
Particular.

A sorte nos empurra
Fechamos os olhos...
Temos todo o tempo
E não vamos parar.

Em busca de palavras
Descubro seu sorriso
No mistério de seu olhar
Encontro meu conforto.

Sem percebermos viramos par
Dividindo o mesmo corpo
Compartilhando o mesmo momento
Multiplicando sussurros e gemidos.
-----------------------
Gabriel Chacon - 11/03/2005


#de versos e reaparições


Encontrei esse texto por acaso fazendo uma limpeza na caixa onde coloco os boletos pagos, comprovantes de pagamento e coisas sem muita funcionalidade... Palavras e construção originais. Só não me lembro ao certo a data, mas acredito que tenha sido em 2008, na loja.

E se ao invés do "não"
a boca tivesse encontrado o "sim"
Se o aperto no peito
não fosse a saudade chegando assim
Se as noites e os dias
corressem menores para eu vivê-los
Se chuva e lágrima
caíssem do mesmo jeito,
mas não com o mesmo efeito.
Ainda que não alcançasse a mão,
pudesse ter o sorriso
E se a letargia abrandasse
Meu corpo todo falasse
Essa angústia cessasse
e eu me rendesse...
A sina de desesperar
Desamparar
Desabafar

#Breviações


- É que tenho uma certa dificuldade em articular com destreza as palavras, entende? Expor um ponto de vista. Ainda mais com essa sua vontade tão explícita de querer que eu diga sobre mim... não, não estou fugindo do assunto, nada disso. Só não sei se vou conseguir driblar minha prolixidade para deixar claro para você quem eu sou. Hein? Não existe 'prolixidade'? Então como é? Mas depois você me explica, estou no meio de um pensamento... mas sabe quando a gente não deve ir contando tudo de uma vez? Sei lá, mas que graça tem se eu me sentar com você agora e ir falando tudo de mim, coisas das quais eu gosto, das que não gosto, que já machuquei meu joelho andando de triciclo quando era criança e que também já caí da privada quando tinha pouco mais de 1 ano e bati a boca no chão enquanto minha mãe tomava banho? Entende o que eu quero dizer? Porque se eu te falo tudo isso agora, cara, acaba o mistério, acaba aquela vontade incessante de querer descobrir algo de mim que ainda fica guardado - aquele sonho, aquele medo, aquele plano de mudar para longe daqui levando só minha mochila nas costas para encontrar sabe-se lá o que. Talvez um grande amor, desses que a gente fica com vontade de contar num livro. Viu? Eu disse que fica difícil parar depois que começo a falar... mas agora é a sua vez. Eu prometo que fico aqui quietinho, ouvindo, esperando para fazer os comentários nas horas em que você tomar fôlego. E também não vou interromper para contar que já vendi meu violino para voltar do Rio de Janeiro e que... Oi? Tô fazendo de novo né? Desculpa... pode começar.

#Breviações


Agora é oficial! E sem poder voltar atrás! E quando eu digo isso, é pra valer!
Preciso cortar esse meu cabelo e limpar meu rosto! Nunca ninguém conseguiu muita coisa com uma barba igual a do Che - a não ser estampar camiseta, xícara ou postêr nas repúblicas dos estudantes unespianos de História.

Não! É hora de botar uma roupa decente, ou pelo menos limpa, abrir estas janelas e deixar uma luz natural preencher os espaços onde os vidros estão quebrados - o efeito é ótimo, mas só se observado às 9 e meia da manhã, coisa que eu não fazia há muito tempo.

Ah!, hora de descer as escadas e deixar o elevador para quem precise dele apenas para fins ascensorísticos ou para quem quer um tratamento contra a claustrofobia. Eu bem sei do que minha claustrofobia é capaz e é por isso também que descerei pelas escadas.

Por sorte a bateria do meu celular está cheia e fiz uma seleção musical cuidadosa. Pelo menos as noites em claro durante as fases processuais valeram a pena! E agora os óculos. Afinal, uma pessoa não é ninguém sem seus óculos.

É até engraçado, mas eu poderia cumprimentar alguém gratuitamente que por ventura cruzasse comigo.

Tô dizendo gente, é a vontade desse novo. Vou dar uma chance. Caberia alguma citação aqui, mas o dia está começando agora. São quase 10 da manhã. Bom dia!

Breviações


E no fim sabemos que ficamos apenas nós. Não como conjunto, mas como unidade - eu, você...
Os sonhos roubados enquanto outro passava mais rápido
Os planos conluídos ou não
Um verso que ilustra, a música que diz tudo e nem chegou no refrão.
Fica o pó por cima dos livros tão bem recomendados.
E se arrasta a saudade, de carona nas caixas de lembranças que não são assim mera representação.
Uma foto
Sua letra
O sinal de ocupado
Boa noite.

Breviações


Criando ao invés de ir dormir... hehehe

É sonhar um refúgio noturno?
A busca do improvável de olhos fechados.
Alcançar o que se vê ao longe
às vezes correndo
às vezes voando
às vezes leva-se um susto e cai!
Gira eternamente e basta.
Os olhos abriram, piscam.
É ali na esquina da memória:
sonho e desejo.
Um alimento, o outro, combustível
Há música, cor, forma
É este o sonho ou minha realidade quase morna?
Projeto de bem-estar
Rotina de não-viver

Mais da CENA


CENA: Praça Central. Fim de tarde. Valerie – Amy Winehouse ao fundo. (apenas instrumental ou com voz).
- Como foi a despedida?
- Ah, você sabe... “despediosa”...
- Hum... você esperou até ele ir?
- Tive que ficar. Você me conhece... tinha que ter certeza que não era alguma coisa que minha mente esquizofrênica criou, apesar de parecer o contrário.
- E ele?
- O que tem?
- Não falou nada? Entrou e pronto?
- Falou, até.
- E??
- Vai sentir minha falta.
- Só isso? Nem se quer voltar, se te liga, qualquer coisa assim?
- Eu não esperava nenhuma dessas.
- Pelo amor de deus! E o que você falou?
- A escolha foi dele. Não tinha o que falar. (pequena pausa) Mas falar que vai sentir minha falta?! Como se eu fosse acreditar nisso. Ele lá, uns 500km longe, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Duvido que ia pensar em mim, quanto mais sentir minha falta. A cama dele vai estar bastante movimentada...
- Tá falando assim porque gosta dele.
- Eu não gosto dele. Até porque é loucura gostar de alguém geograficamente inacessível.
- Você nunca foi do tipo convencional mesmo.
- Ok... chega de tentar criar um tipo de ligação aqui. Ele está indo, eu estou ficando.
- É...
- Sorvete?
- Claro.

CENA


Rodoviária, noite. Parada número 13. Os passageiros embarcando no ônibus. Os funcionários da empresa organizando as malas e encomendas dentro do bagageiro do ônibus.
- Será que eles tem um número certo de coisas para colocar aí dentro? Quer dizer, será que é sempre um mesmo número toda vez? Toda viagem?
- Ou pelo menos ter uma forma de guardar isso tudo né?
- Eu nunca entendi muito bem a matemática disso.
- Ah... (olha no relógio) acho que já vou subir, o ônibus vai sair daqui a pouco.
- Isso. Não vão ficar esperando porque um passageiro ainda não se despediu... então, boa viagem.
- Eu vou sentir sua falta.
- Por favor não diga isso. Nós combinamos que seria uma despedida rápida e objetiva. Sem flashbacks e nem relembrar pontos altos.
- (como se não tivesse sido interrompido) É sério.
- (tom sério) A escolha foi sua.
- Não chegou a ser uma escolha.
- Dá no mesmo.
- É a minha chance de fazer algo acontecer.
- Bom, eu não quero ser o responsável caso aconteça o contrário. O ônibus vai sair.
- Eu vou sentir sua falta.
- Você se acostuma. É como dizem: cidade grande nunca para. Você vai conhecer alguém.
- Tchau.
Entra no ônibus. Outros dois passageiros também entram. As portas se fecham.

PS - Continua....

Breviações


EU: Engraçado a gente se encontrar assim, depois desse tempo.
ELE: Pois é. Fez um ano né?
EU: Faz. Fará. Está fazendo de certa forma.
ELE: Passou depressa.
EU: Pra você deve ter passado.
ELE: Passeando?
EU: Trabalho. Eu vim pra...
ELE: ... pra Feira, é verdade.
EU: Eu ainda não consigo saber o que eu realmente estou sentindo agora que estamos perto de novo. Eu não guardei uma imagem sua, clara, sabe? É só uma lembrança mesmo. Ironicamente nesta mesma estação, por duas vezes. Você parado naquele pilar olhando distraído para quem passava e eu morrendo de medo de não encontrar você lá por causa do atraso.
ELE: Achei que fosse pela falta dos óculos.
EU: Também. Mas "no meio de tanta gente eu encontrei você".
ELE: E a outra?
...
EU: A outra foi bem diferente. Foi um abraço, um agradecimento, uma formalidade e logo uma catraca estava nos separando. E eu sabia que não era para olhar pra trás, ou correr e pular o obstáculo e te abraçar de novo. Provavelmente você não estaria lá.
ELE: Você não conseguiria chegar até mim. Os seguranças iam te pegar.
EU: Eu sei. Foi uma sugestão fantasiosa.
ELE: Tenho certeza que vai encontrar uma pessoa legal.
EU: Não preciso encontrar mais ninguém porque já achei pessoas legais um pouco demais. Dessa vez alguém legal precisa me achar, pra variar.
ELE: Boa sorte.
EU: Não se trata de sorte.
ELE: Cada um usa o nome que melhor satisfaz a vontade.
EU: Até mais.
ELE: Bom dia.

Breviações


Diálogo de um encontro recente...

ELE: Você demorou mais do que disse que ia demorar.
EU: Demorei dez minutos e meio?
ELE: Um pouco mais que isso.
EU: Não deve ter passado de onze minutos.
ELE: Quer tomar alguma coisa?
EU: E comer.
...
ELE: Você é bonito.
EU: Obrigado. Você também é bonito.
ELE: Não precisa falar só porque eu disse.
EU: Não tenho o hábito de dizer elogios à toa.
ELE: Mas só falou porque eu falei. Podia ter falado antes.
EU: Você também.
(se olham)
ELE: Você tem o nariz bem feitinho, o queixo bem feitinho...
EU: Tá me deixando sem graça.
ELE: Mas é mais magro do que eu achei.
EU: Você tinha visto minha foto, sabia que eu era magro.
ELE: É... mas não achava que era tanto.
EU: Tá fazendo minha magreza parecer um problema.
ELE: Tá tudo bem... Tanta gente querendo ficar magro assim né...
(se olham)
EU: Que perfume você usa?
ELE: Dolce & Gabanna. Gostou?
EU: Bastante.
ELE: Quando você for lá em casa eu jogo um pouco em você.
EU: Pode deixar que eu vou sim.
ELE: Tá duvidando?
EU: Não. Quero mesmo esse cheiro.
ELE: Tá escurecendo e eu acho que já vou.
EU: Tudo bem. Eu vou também.
ELE: Me liga qualquer hora pra gente marcar alguma coisa.
EU: Sim eu ligo.

Relembrando


Hoje fui convidado para participar de um sarau em dezembro, apresentar um texto meu. Não pensei em nada novo. Acho que levarei este que posto aqui novamente. Desta vez com imagem.

Breviações Biográficas
O elevador parou no 19º. andar. A porta se abriu, eles saíram. O quarto ficava no final de um corredor pouco iluminado, forrado com um carpete azul já muito pisado, talvez por pés que, como os deles, caminhavam lado a lado pela primeira vez.

Esperou para que destrancasse a porta. Entraram. Ele afastou a cortina, abriu a janela, tirou os sapatos, acendeu um cigarro e sentou-se na cama, olhando. O outro olhou a cidade pela janela, sentia-se realmente alto, mas aquela altura que só é alcançada quando alguma coisa realmente boa ou longamente esperada acontece. Serviu-se de coca-cola e também acendeu um cigarro. Seu olhar revezando entre seus próprios pés e os olhos dele. Sorriu. Não sabia, ou melhor, não conseguia dizer quando foi de verdade que começou a acreditar que aquilo tudo estava mesmo acontecendo. O abraço de uma hora atrás, as mãos se tocando timidamente enquanto o táxi seguia, a revelação no elevador: "vocês são namorados?" "sim, nós somos". Mas aquele quarto era sim, real. Assim como eram todos esses fatos e era também a figura daquele homem por quem decidira viajar mais de 400km. Deitaram-se.

Olhava o teto e começou a imaginar quantos outros buscaram aquela cama, quantos deitaram-se nela e acordaram sozinhos e arrependidos, quantos nem chegaram a desarrumar os lençóis esperando pela companhia que não veio. Interrompeu esses pensamentos melancólicos que não combinavam nada com aquilo que estava sentindo. Não queria contaminar e comprometer o clima com tal niilismo antes mesmo de terem sequer tirado a roupa. E então, como se aquela pudesse ser a última vez/chance, virou para o lado e beijou-lhe a boca. "Eu disse que roubaria um beijo" "eu deixei". Ele também virou. Ficaram se encarando de forma tão terna e intensa, que os beijos e abraços seguintes pareciam querer recuperar e recompensar aquele tempo que ficaram separados. Ele 26, o outro 22. E como os braços não bastavam, enlaçaram as pernas. Como os lábios eram pouco, enroscaram as línguas. E juntos nesse corpo que era um, ora ele apertava ora o outro cedia. Que os moralistas não vissem tamanha demonstração de... intimidade!

E como era bom poder sentir os desenhos do corpo dele se revelando à medida que os dedos percorriam nuca, torso, pernas. E os pêlos de todo seu corpo eriçados quando a barba dele resolveu marcar-lhe as costas.

Estava prestes a liberar aquele grito aprisionado que comprimia-lhe as cordas vocais e deixava seu coração arritmado. A pressão das pernas dele entre suas pernas, o suor dele passando pela sua pele, o rubor marcando-lhe a face e aquele estreito vão entre ele e o outro.

E veio impulsionando cada músculo, cada parte de seu corpo extasiado. Ele tapou sua boca abafando o som e beijou o outro até onde permitiu-se alcançar.

Silêncio.

Na cidade que os cercava, algumas luzes ainda acesas. Dois cigarros. A falta de palavras não incomodava, pelo contrário, era melhor pois queria fixar em sua memória, assim como em seu corpo, aquele momento, aquele cheiro, cada detalhe.

Acomodou-se nos braços dele. A noite prosseguia mais calma agora. Era aquela proteção oferecida pelos braços e pelo calor que sentia quando ele respirava que o fizeram adormecer. Só não sabia se teria tempo para acordar.

continuando...


... os barulhos que me irritam:

Como minha amiga Lalinha muito bem comentou/postou (sugiro que leiam os comentários deste blog pois são um verdadeiro blog adicional), algumas outras coisinhas que me irritam também:

* Ouvir batuques (batuque na mesa, no chão, palmas... socorro! deveriam amarrar as mãos de pessoas que fazem isso!)

* Assobio (principalmente de senhores quando estes estão em banheiros públicos, corredores de shopping ou ônibus! não estou condenando o fato de assobiarem, mas bem que podiam assobiar quando não tivesse mais ninguém por perto! - principalmente eu!)

* Latido (nossa tem um cachorro insuportável na minha rua. Acho que dois, não sei. Um tem dia que se dispõe unica e exclusivamente e latir latir latir para o que quer que seja... o outro fica se debatendo, acho que tentando se soltar da coleira e parece que vai derrubar uma dessas prateleiras cheias de coisas metálicas)

Tô vendo que essa vai ser uma série bastante longa!!! hehehe

outro.

da série...


... COISAS QUE ME IRRITAM!

O tema de hoje é: SONS, RUÍDOS, BARULHOS E AFINS.

* Porta rangendo (principalmente quando é a porta do meu quarto, de manhã, enquanto eu tento me manter dormindo. a porta do banheiro masculino no shopp do calçado também me deixa terrivelmente irritado! esses dias eu achei estranho ter ficado calmo enquanto estava no banheiro. no outro dia entendi porque - a porta não tinha feito barulho)

* Meu celular acusando bateria fraca

* CPU do computador aqui de casa

* Fonte cascata do aquário da loja

* Telefone tocando

* Campainha

* Muitas vozes ao mesmo tempo

* Meu irmão roncando

* O relógio do meu irmão (que apita a cada hora e sempre 6am ele desperta e fica tocando por minutos intermináveis! meu irmão mesmo não escuta... a vontade que me dá é de jogar o relógio na parede mais próxima)

Para citar algumas apenas.... logo lembro de mais!

eu passo...


Porque eu gosto de deixar as coisas bem claras por aqui. E também porque todo mundo fica colocando que gosta disso, gosta daquilo... Resolvi radicalizar e lanço essa listinha de coisas das quais NÃO gosto. Tá certo que são alguminhas só, mas já é um começo. De repente eu faço updates depois.

* Filme dublado
* Legenda branca
* Acordar cedo (precisando ou não)
* Água fria pra tomar banho
* Uva passa na granola (e em qualquer lugar também. pra que uva passa no mundo?)
* Coca-cola sem gás
* Acordar sozinho (a gente acostuma né...)
* Meu bruxismo
* Baixa auto-estima
* Joelhos pra dentro
* Saudade
* Tempo
* Churrasco
* Carnaval
* Choro de criança
* Criança
* Fazer a barba
* Banheiro público
* Caroços
* Tamarindo
* Peixe
* Gema de ovo
* Futebol
* Pessoas que conversam cutucando
* Crises de insônia

A gente nunca perde por ser seletivo né!

outro pra vocês também!

ATENÇÃO!!


O Bololog interrompe suas postagens normais para um pronunciamento extraordinário:

O Fundo de Apoio ao Bem Estar do Gabriel (F.A.B.E.G.) está recebendo doações. Sim! Você leitor que conhece nosso trabalho e nos visita sempre, agora tem mais essa opção para colaborar com o crescimento da minha conta bancária, digo, blog.

Mas você deve estar se perguntando agora: como? E eu explico! É muito fácil fazer sua doação, que pode ser em espécie (não aceitamos espécies em extinção, por favor não insita), ou ceder um cartão de crédito (com limite razoável, tá?) ou até mesmo vales-compra (com valores consideráveis, ok?).

Lembrando que não serão reveladas as quantias doadas, digo, a identidade dos colaboradores, para manter e proteger sua imagem. Apenas deixarei uma pequena nota de rodapé para verem que não existe fraude e que o Fundo é totalmente voltado para o apoio.

Os interessados por favor entrar em contato através deste blog deixando nome, telefone ou e-mail e quantia pretendida para que possamos fazer seu cadastro e assim assegurar o recebimento da doação.

A equipe do F.A.B.E.G. agradece pela atenção e espaço e espera contar com o apoio e participação de todos que acompanham e prestigiam este tão renomado blog.

BREVIAÇÕES (FINAIS)


ELE: ...
EU: ...
ELE: Você não vai falar nada?
EU: Eu vim para escutar. já falei demais. Aliás eu acho que se não fosse isso, talvez esses dois meses poderiam ter sido diferentes.
ELE: Mas vai ser assim? A gente e esse silêncio ocupando mais espaço que nós dois juntos?
EU: Silêncio não tem sido problema pra você há algum tempo. Achei que estivesse acostumado.
ELE: Afinal, o que você quer?
EU: Não tenho mais o que querer. Tudo que esperava passou por mim, por nós, e agora é apenas uma mancha que parece não querer sair do meu passado.
ELE: Veio para ficar falando disso?
EU: Não se preocupe, não vai demorar muito até isso tudo ter acabado.
ELE: Olha, sinto muito mesmo, mas eu achei que seria diferente dessa vez. Na verdade nem sei o que deveria falar com você agora.
EU: Eu não espero que fale mesmo... só vim aqui porque precisava te ver pela última vez e me despedir completamente, sem nuances, sem expectativas.
ELE: Veio até aqui para isso?
EU: É um processo. Preciso finalizar as coisas que comecei por aqui. Terminar os passos, fechar as portas, cruzar as ruas e então poder dizer adeus.
ELE: E quando é que eu digo?
EU: Pode ser agora. Não poderei dizer que tenha sido um prazer esse tempo que passamos juntnos, pois o que passamos mesmo foram apenas alguns minutos. E minutos se conseguem facilmente por aí. Mas já me sinto melhor... estou tirando de mim a responsabilidade de gostar de nós.
ELE: Não precisa ser assim tão duro.
EU: Certas atitudes contribuíram para isso... eu já vou.
ELE: Quer uma carona?
EU: Não... restam ainda alguns passos... pretendo usá-los agora.
ELE: ...
EU: ...

************************
E assim concluo a saga, pelo menos incial, desses que por um tempo interessante estiveram presentes em mim.