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Breviações


CAPÍTULO TERCEIRO - Das Completudes

Eu me sinto inteiro quando parte de mim vira letras e saio, buscando verbalizar, ou melhor, "letralizar" esse emaranhado de desconexões que somente eu entendo e transformo em rimas, prosas e risos.

Na presença de papel e caneta ou tela e teclado, vou tecendo e me contorcendo em descrever vidas, desejos, saudades, amores ou mesmo aqueles breves pensamentos rápidos, que nos acometem de súbito depois de um olhar suspeito, um comentário dúbio ou uma ação propriamente concreta.

E são fragmentos de mim mesmo se manifestando de modo a formarem toda a pintura literal - o Eu romântico e sonhador que escreve sobre encontros debaixo de árvores ao entardecer de um dia de outono tocando ao fundo aquela melodia; tem o Eu sarcástico, que aponta para tudo e todos e que de alguma forma acaba se ironizando ao tornar-se tão cáustico. Também há o Eu melancólico, que perde o sono e abraça noites sempre que vai escrever do ontem e pressente o amanhã. O Eu realista faz uma certa aparição e coloca um pouco de ordem nessas linhas sinuosas e dificilmente congruentes, depois que o sonhador já deu voltas e elaborou milhões de variáveis para um simples descrever de olhares.

Com tantos em um, me defendo escrevendo sempre e tanto. Deixando as músicas tocarem, os amores virem, as saudades passarem e os olhares se encontrarem. Até que as palavras já não fiquem apenas no papel, mas sintam-se dotadas dessa necessidade de tornarem-se ação e manterem-se.

E novamente minhas partes se unirem, para um Eu inteiro e completo.

Breve pensamento...


"quando você arde alardeia sua teia cheia de ardis
quando você faz a minha carne triste quase feliz
...
você me faz parecer menos só menos sozinho
você me faz parecer menos pó menos pozinho"