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#Desenlace


Sim, doutor, sou eu novamente. Eu sei que sempre o procuro em horários pouco comerciais, mas achei que já estivesse acostumado com esses meus rompantes. Enfim...
O que foi dessa vez? Ah, o senhor sabe... como sempre estou quieto no meu canto e a Vida resolve dar uma de engraçadinha pro meu lado e dá nisso. Quer dizer, meu deus, já são 3 anos sem nenhum tipo de contato, nem mesmo telefônico ou de ordem MSNiênica. Última notícia que tive foi de ter se acidentado e praticamente morrido - o que foi suficiente para me botar maluco, querer pegar um ônibus e cruzar uns 700km ao encontro de sabe-se lá o que.
Aí então hoje, de repente, assim como se fosse algo mais banal que dar uma descarga, pumba! Mensagem piscando na minha tela: "oi! você sumiu!"
Annn sim!! Achei que não quisesse mais nada, terminamos, você fica aí cuidando do seu corpo e pegando todo mundo enquanto eu fico aqui com a minha vida condenada de morador de cidade do interior paulista com sonhos metropolitanos.
Não, não foi isso que disse. Na verdade fiquei um tempão pensando em algo para dizer.
Eu sou aquariano meu e entenda por aquariano o seguinte: orgulhoso ao extremo, dissimulado, calculista até mesmo nessa situação, mas também um bobo com coração de adolescente e experiências que não ouso colocar aqui.
E até onde é desejo genuíno e até onde é necessidade de prêmio individual?
Aí é que está! Eu preciso da presença, feeling e timing, olhar nos olhos, dizer montes de coisas, ouvir outras tantas e depois disso, aí sim saberei se foi ou se poderá ser.

Vou deixá-lo com Beethoven agora. Acho uma tremenda falta de respeito interromper Serenata ao Luar. Além disso é bom para você pensar em algumas coisas.
Ligue-me quando precisar.

De como o comentário vira post


Comentário recém deixado por mim no blog da minha amigasiamesa:

Sim, ele é adepto das listas e as cultiva até hoje, em tempos de decisões instantâneas. Mas ele é bipolar e aquariano, precisa de um método para a natural tendência ao inesperado.
Ai, como ele tem o coraçãozinho cheio de promessas direcionadas a um interlocutor desconhecido.
É o primeiro item da lista dele.
Quer um interlocutor de carne e osso, sem monitor fazendo a linha divisória, sem inconvenientes geográficos. Quer ser acolhido. Ele não pede muito, nêga.

"Eu que sonhei por tanto tempo em ser livre, me prenda em seus braços, é o que eu te peço"

Tirada da madrugada


Divagações no MSN às 4 da manhã:

"será que estamos condenados a sermos apenas amigos pro resto das vidas? Sempre companhia, nunca companheiros?"

Tirem suas conclusões e compartilhem as sensações comigo.
É mais um momento daqueles de crise iminente.
Ai... por favor, doutor, largue tudo isso e venha comigo tomar água de coco em Copacabana.

É assim, nêgo.


Eu disse que não era hora de ter poltrona em casa, mas você, nêgo, não me ouvia quando colocava uma ideia na cabeça. Era aquilo e pronto!
Agora ela continua aqui, no mesmo ponto, voltada para a janela de onde se pode ver ao mesmo tempo as luzes da cidade quando se acendem, os carros passando velozes e nos dias certos, a lua. E nestas noites de lua, nêgo, o coração aperta mais.
O acento da poltrona já moldado por nossos corpos, de quando costumávamos sentar juntos e passar horas - dias, se deixassem - ali, contemplando aquela luz que nos banhava, me engole todo no momento em que sento. Penso se é realmente a poltrona me cobrindo ou se são os retalhos em que transformaram nossas lembranças.
E estão gastos também os apoios onde minhas mãos e as suas apertavam forte no momento em que éramos um. Como não quisesse machucar e invadir tua carne, castigava a poltrona.
Eu não pedia muito, nêgo. Mesmo.
Bastava ficar te olhando e vendo em você os desenhos que meus dedos faziam ao passar em sua pele. E o cheiro que ficava quando você me abraçava e saía.
Não precisava muito, nêgo.
Mas de repente a poltrona ficou esquecida. Vazia, empoeirada, sem vida.
E agora, nêgo, será que tem volta?

Divã


Hoje meu horóscopo orientou-me no sentido de olhar para mim mesmo, analisar-me, e cá estou eu. Já que ainda não consigo pagar pelas consultas com um terapeuta real. Mas pretendo seguir o conselho de uma cliente que passou pela loja semana passada e disse que o dinheiro melhor empregado na vida dela é a terapia. Será?
Passa dia, fala com um aqui, conhece outro ali e depois a mesma fala:
"Porque meu namorado..."
E então planos e pretensões a curto prazo se tornam "relacionalmente" inviáveis. Primeiro porque isso de gostar de alguém já comprometido é masoquismo emocional e outra coisa, como gostar de alguém cujo senso de promiscuidade é, de certa forma, falho e unilateral? Bonitinho ele, mas trai. Não, obrigado. Tô de boa de cara assim.
E então as atenções se voltam para duas coisas:
* Acabar gostando de alguém geograficamente inacessível
ou
* O problema sou eu! Todo mundo tem um relacionamento, todo mundo conhece gente interessante e eu aqui chorando as pitangas num blog.
E sem essa de colocar a energia no trabalho porque não funciona! Eu não tenho vida social por causa do meu trabalho em regime semi-escravista.
Pior ainda - como focar no trabalho quando este é motivo de mais desânimo? É preciso muito sangue-frio (entenda-se boletos vencendo) para não surtar e pedir as contas.
E a cama nunca teve tantos braços me prendendo nela de manhã como ultimamente.
1...
2..
3...
Inspira e expira

Divã Virtual


Achei que nossas consultas este ano demoraram um pouco para começar, doutor. Tá certo que o senhor estava em férias, mas achei que deixasse sempre uma oportunidade para eu vir descarregar minha cota de aflições. Bom, vamos ao que importa porque esse ano a consulta teve reajuste.

"Você é feliz, amigo?"
"Não."
"É... eu também..."

Diálogo que tive com meu amigo no caminho de volta para casa, depois da festa do Rafa, enquanto outros dois caras - recém amigos meus - iam embora. Teria sido normal não fosse porque esses dois pareciam se bastar naquele momento. Uma musiquinha clichê tocando no rádio e aquela satisfação medíocre por algo tão banal. Mas volto a dizer, para eles bastava.
Mas não é o que acontece comigo. Se eu fosse qualquer um deles naquela situação com certeza na minha cabeça estaria passando um milhão de coisas - das mais bobas até as mais complexas que nenhuma outra pessoa pensaria simplesmente pelo fato de que ninguém é tão neurótico como eu sou. Só que pra mim é pouco...

"Mas muito pra mim é tão pouco
E pouco é um pouco demais
Viver tá me deixando louca
Não sei mais do que sou capaz
Gritando pra não ficar rouca
Em guerra lutando por paz
Muito pra mim é tão pouco
E pouco eu não quero mais..."

É a minha mania, o senhor já sabe, de levar tudo para o lado ilusório e parnasiano da vida. Não me basta o fato, é necessário o floreio, o roteiro, o fim.
Mas eu prometi mudar esse ano né? Bom, o senhor não sabe, mas foi uma dessas intensões que se faz na virada do ano. Chupei os 7 carocinhos da romã e fui pedindo.

Não faça essa cara de "onde você quer chegar com isso" porque eu definitivamente não tenho idéia.
E também eu não vou poder viajar agora, com os meus amigos, para a praia, porque eles escolheram justamente a semana de liquidação do ClaustroShopping para viajarem! Tá, não foi por causa disso que eles escolheram, mas coincidiu e eu não poderei ir nem que chore sangue para a minha patroa.

Então é isso... condenado a ficar por aqui mais um tempo, incerto sobre minhas férias, sozinho enquanto todo mundo se diverte na praia.

Eu já falei que não gosto de praia?

não, não é bem isso...


Estou bastante introspectivo por esses dias... observador, mais calado. Ao mesmo tempo em que estou facilmente irritado e irritável, com um certo acúmulo de sensações, vontades e diálogos interrompidos. Não, não é uma crise. Talvez um pressentimento - há algo vindo por aí!

Às vezes não estou pensando em nada e de repente eu desligo, vou entrando em mim e milhões de situações, perguntas, vontades, coisinhas nada-a-ver passam pela minha cabeça sem eu nem conseguir conciliar. Tamanha intensidade que adquirem sons, formas. Será que estou ficando louco de vez? Melhor não contar com tantos detalhes então! hehehe

Só que sinto a vida tomando novos rumos. Não sei se a vida de todo mundo, mas pelo menos a minha. Parece coisa de adolescente que não se encaixa no contexto social em que está inserido. Uma vontade de sair sem uma direção.

Estou cansado e sem saco para convencer as pessoas - clientes perdidos andando pelo shopping, que entram na loja sabe-se lá porque e, enquanto estão lá dentro ouvindo minha história de sempre, se perguntam como foram parar lá (se eles não se perguntam, eu me encarrego disso!). Ou convencer os outros (e sublinho aqui o artigo definido masculino) de que sou uma ótima companhia e que, decididamente, não encontrará fácil por aí um outro que seja divertido, inteligente, gostos afins não duvidáveis, etc, etc...

É essa necessidade em ser o tempo todo simpático que me cansa! O que pode ser pura conseqüência dos dias atuais e mais ainda culpa da ocupação profissional que tenho. Ou seja, vivo um paradoxo. Eu não posso fazer cara feia para cliente, não posso dar um resposta irônica proporcional à minha indignação (tá, em algumas vezes eu não me controlo e acaba saindo uma coisinha de leve), não posso evitar ter contatos com pessoas das quais não sinto a menor afinidade imediata (isso para as reuniões de amigos de minha mãe e padrasto, nas quais sou forçado a me socializar), nem entrar em crise direito eu posso porque emprego hoje em dia está difícil, portanto nada de ficar em casa com questionamentos no horário comercial (deixo isso para as horas em que deveria estar dormindo). E tudo isso, querido leitor, munido de um sorriso inabalável e paciência misericordiosa...

Meu reino por uma discussãozinha gratuita, para eu aliviar só um pouco essa pressão contida.

Divã


Obrigado por poder me ver a essa hora num domingo, doutor. Era para eu ter ligado mais cedo, mas hoje foram mil coisas acontecendo, meu irmão tomando tempo no computador, enfim. Mas vamos ao que interessa afinal é bem capaz de o senhor estar cobrando bandeira 2 por minuto dessa consulta!
...
Não é que eu seja uma pessoa difícil de ser agradada, exigente demais, perfeccionista e toda sorte desse tipo de adjetivo. Nada disso! Eu simplesmente sou alguém criterioso! Poxa, o que há de mal em ter certos critérios na vida, meu deus? É uma questão de selecionar... tudo nesse mundo se seleciona - café de grãos selecionados, vestibular, seleção natural... coisas bastante comuns. Bom, o fato é: será que esses critérios estão me prejudicando? Vou dizer alguns para você, doutor, e espero uma análise sincera ao final.
Claro que a pessoa pode ser bonita, oras! Não tenho nada contra pessoas bonitas, de verdade! Não quero essa beleza plástica e facilmente comercializável (isso não quer dizer "pessoa feia") que se encontra por aí... mas também não é para ficar se expondo por aí para todo mundo ver que se é bonito, não é mesmo?
Sim, aceito uma pessoa comunicativa, dinâmica, extrovertida... mas isso de ficar se socializando demais não dá! É tão ruim assim ser discreto, contido na medida certa? Eu acho que não!
Prezo pela estabilidade laborial e financeira... Pode até ser divertido sair por aí com uma mochila nas costas, conhecendo lugares diferentes e tudo, mas com a segurança de saber que bem guardadinho está o cartão com crédito considerável!
Sem esquecer de um gosto musical distindo. O que não quer dizer ter de ouvir apenas Bach ou Mozart ou Chico ou Bethânia ou Vanessa... Só que batidão, pancadão, modão, pagodão... sinto muito né... não!
Ah, e a questão geográfica da história. Eu não descarto pessoas de outras cidades e/ou estados do território nacional, pelo contrário, adoro conhecer pessoas de outras localidades. Mas se for pra ser de longe, que tenha uma certa mobilidade, por favor! Venha ao meu encontro ao invés de ficar nessa de culpar a distância.
Sabe doutor, eu acho que se a pessoa puder, como eu posso dizer... perceber essas particularidades, tudo vai ficar muito mais fácil no sentido de travarmos qualquer tipo ou tentativa de relacionamento, não é mesmo?
...
Oi? já acabou meu tempo e o senhor estava quase dormindo aí na cadeira? Como estamos hein...

outro.

sala de espera


Eu até ia me consultar hoje, mas estou cansadinho e não muito afim de encarar certas coisas.
Portanto doutor, deixe minha reserva para outro dia. Não vou cancelar porque eu pago um absurdo por mês para ter direito a isso e exijo que segure minha vaga!!

Por ora, uma imagem apenas.

Minha Janela Psicológica... (e daí que a maioria das pessoas tem janela imunológica? rs!)

Divã


Doutor, boa tarde... tem um horário disponível à noite?
....
Ok... obrigado! Eu virei sim.

tá bom... tá bom...


Olha, de verdade, eu quero agradecer a todos os que se compadeceram por causa do meu último post (ou penúltimo, se considerarmos este? ih...) e dizer que fiquei bastante tocado pela quantidade de e-mails, comentários, cartas e telefonemas que recebi.

Por isso estou aqui hoje para fazer um esclarecimento: ok... é legal e bacana receber cartinhas e tudo mais, mas vamos fazer a coisa direito né? Primeiro que vai ser melhor para todo mundo e principalmente pra mim! Então eu estipulei certos critérios, de modo a tornar essa comunicação mais eficaz. Vamos lá:

1 - Se você tiver idade entre 19 e 33 anos, ótimo! Suas cartas continuarão a ser lidas e talvez respondidas. Menores de idade, por favor, parem com a encheção de saco porque eu tenho mais o que fazer do que ser preso, tá??
2 - As mensagens dos morenos, altos, inteligentes e mais criativos terão uma certa prioridade na leitura.
3 - Mandem fotos para a identificação e melhor organização de quem eu quero ver futuramente... ou não.
4 - É muito interessante mandar um breve histórico, um resumo pessoal, antecedentes criminais... essas banalidades tão esquecidas hoje em dia.
5 - Esteja muito bem resolvido quanto ao que você quer e em qual categoria você se enquadra. Não estou interessado em curiosos, confusos, duvidosos e toda essa linha... ok??
6 - Uma vez enviada a mensagem, aguarde pelo meu retorno com maiores informações sobre como proceder e etc... Caso não receba nenhum retorno em dois dias, por favor entenda que você não está entre os escolhidos e bola pra frente!

Espero que todos leiam com bastante atenção e é isso meus queridos...

outro para vocês também!!

Divã


Já que eu não conheço nenhum terapeuta - e faço aqui meu apelo de que algum venha ao meu socorro (de preferência moreno alto bonito sensual inteligente... quer dizer...)- vai aqui no blog mesmo, que aliás fica mais barato e às vezes chega a ser divertido!

Não doutor, não estou muito bem. Os últimos dias e meses têm sido uma merda, pra usar um eufemismo...
Não, o senhor não me passou nenhuma receita com nenhum medicamento que tivesse tarja preta ou vermelha...

É o seguinte, esse negócio de mudança súbita de humor, complexos, crises, confusões, auto-estima, tudo muito bonito pra se dizer, mas olha só, já não tem mais a menor graça. Que que é?? Vou ficar nisso de ser testado até quando? Não tenho nervos suficiente para agüentar pancada e mais pancada... sabe, eu fico olhando ao redor e só vejo as coisas serem construídas depois que já passaram por mim. Quer dizer, até quando eu vou ficar servindo de transição pra algo melhor para os outros e eu mesmo nunca? É difícil lidar com a felicidade e satisfação alheias quando não se tem muito o que aproveitar delas. E eu sinceramente não gosto de pessoas felizes e satisfeitas depois de tanto esforço meu em vão. E não é ser egoísta... (ou é?), mas, que tipo de coisa misteriosa é essa que eu tenho que aprender, ver, sentir, sei lá! até que algo consistente decida permanecer comigo?
E isso de esperar para conhecer pessoas do nada já deu né? Cansei de pessoas perdidas na minha vida... quero alguém com direção.
Essa semana foi bordoada depois de bordoada...
"Olha, eu gosto muito de você por isso vou ser sincero e te falar que conheci outro cara e parece que vai ser um lance sério. Mas não quero deixar de ser seu amigo..."
blá blá blá...
"Você é uma pessoa ótima, mas entrou um amigo meu que eu não conversava há um tempão e eu morro de vontade de ficar com ele..."
blá blá blá...
"Se fosse em um outro tempo..."
blá blá blá...
"Não respondi você porque tô namorando e não queria cair em tentação..."
Peraí!!
Eu sou algum tipo de vírus ou mutante que seja tão impossível assim ficar por perto? E essas coisas de desculpinhas e explicações sendo usadas como justificativas para algo tão bobo!
Eu já não dou conta mais, sabe... ah... chega um ponto na vida em que qualquer coisa se torna forte demais. Ou pode ser que eu esteja de TPM e essa dor na minha cabeça deve passar tão logo eu menstrue toda essa sujeira, frustração, paranóia, desassossego, desapego... é tanto que eu acho que absorvente não daria conta não.

Ai doutor, eu sei que deve ser horrível ficar aí escutando minhas lamúrias, mas eu estou pagando! hehehe...
E nada de conselhos e orientações do tipo: "dê tempo ao tempo..." que isso vai me deixar mais irritado ainda!
O negócio é uma ação interventiva rápida e eficaz! Penumotórax talvez...
E não adianta porque eu sou teimoso e vou ficar falando nisso, mesmo sabendo que só depende de mim e aquele tanto de baboseira que se encontra em todo livro de auto-ajuda, mas paciência.... a crise é minha, o blog é meu e eu falo mesmo!

O quê? A hora já acabou? Você tem outro paciente? ah... eu entendo.
Amanhã no mesmo horário? Tudo bem.

Obrigado doutor.
**********************************
não é pra ter realmente nenhum sentido claro nesta postagem... mas pelo prazer de colocar pra fora.

passada rápida por aqui...



Estou lendo e praticamente terminando (acho que termino hoje mesmo) A Sombra do Vento. Simplesmente envolvente!! Uma história fabulosa (acho que é a primeira vez que uso essa palavra).

Esses últimos dias foram bastante estranhos no sentido de me deixarem mal. Minha cabeça absolutamente cheia - contra a minha vontade - de pensamentos e lembranças e aflições e frustrações e parcos desejos e desilusão que fazem com que o breve intervalo entre uma e outra, quando eu consigo durmir, seja um lugar onde não posso permanecer mais que alguns minutos.

Estou com medo de que alguma crise de ordem psicológica aconteça. Sei que tenho tendência a esse tipo de coisa, apesar de nunca ter enfrentado nenhuma muito séria por achar que eu não posso me dar ao luxo de ficar deprimido e não trabalhar e não ensaiar e não escrever. Ou seja, deixar esse eflúvio de sentimentos me dominar. E acho que seja esse medo que evita o pior.

Esse choro preso atrás de portas que não quero abrir me consome. Mas me respondam: o que fazer? Ignorar? Relutar? Camuflar? Concordar? Conformar? São dúvidas e vontades que apenas vão deixando o labirinto ainda mais enclausurador.

O que eu queria mesmo era poder ficar sozinho... apenas. De repente munido de um computador para esvaziar um pouco meu peito. Como se fosse uma bolha. Condenado à condição de ermitão urbano. Essa obrigação de me socializar desde quando eu era pequeno contra a minha vontade é o que mais pesa. Reuniões familiares (tios desconhecidos, primos cansativos... com exceção de uma, amigos de mãe e padrasto que pouco me importa saber os nomes), ambiente escolar (companheiros de sala pelos quais eu não tinha a menor vontade de manter contato - e isso na pré escola, quando a minha atual professora chamou minha mãe e disse que eu era uma criança muito sozinha e que tinha que brincar mais com os outros, conversar mais. Mas meu deus! O que eu poderia fazer se nenhum deles correspondia às expectativas que eu tinha de pessoas interessantes??) e agora o ambiente de trabalho onde estou inserido é a prova diária pela qual tenho que passar e enfrentar essa minha condição de quase sociofóbico (não que seja um medo, mas apenas a vontade de reduzir os contatos e quantidade de pessoas perto de mim). Me bastava estar na minha cama e dormir até cansar e precisar continuar dormindo... apático e a parte de tudo. Dando-me o direito de ler o outro livro que comprei e de comer alguma coisa também.

É só essa sensação de desperdício... de estar deixando muita coisa passar devido a esse estado de inércia... essa perda de tempo e potencial.

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d´água"

e só...

Este tal dia dos namorados...


E hoje é aquele tal dia né... isso, esse mesmo: quinta-feira dia 12. Não fosse por causa de estarmos em junho, o dia passaria batido como qualquer outro. Mas hoje tem toda aquela carga histórica, vinda sabe-se lá de onde! Ou melhor, sei sim, acabei de jogar no google e estava lá, bem como eu imaginava – puramente uma data comercial! Uma jogada de marketing que um certo publicitário fez e o país comprou a idéia “romântica” e consumista.

Ta... tudo bem que seja até interessante estabelecer-se uma data para deixar ainda mais claro essa divisão de castas – os namorados e os solteiros (leia-se encalhados, esquecidos e afins... hehehe), mas também não precisa fazer disso uma obrigação!
Não, este não é pra ser um post protesto! Tentarei me controlar...

MENTIRA!
Ora, pelo amor de deus né! Ficar esperando chegar esse tal dia pra fazer alguma coisa especial com quem supostamente se ama (sim, eu também entro no mérito desse sentimento) ou então fazer dessa data pretexto para presentear a outra pessoa é uma baita sacanagem! Além de não ter originalidade nenhuma porque são coisas que já se esperam das pessoas e ai delas se não cumprirem com esse “acordo” – brigas, greves sexuais e rompimentos. Ah, passa na praça gente! Fora que tem sempre as promoçõezinhas para os casais e aquela balela toda...

Vocês não vêem que isso tudo é obra de espiões pagos, e muito bem pagos, pelo Vaticano? Pois sim! Eles elaboram as campanhas, propagandas, mensagens subliminares para fazerem as pessoas comprarem e depois suavizam o impacto dizendo que o amor é lindo...

Faço um apelo aqui pela banalização e boicote ao Dia dos Namorados! Nada de presentes, nada de cestas deliciosas de café da manhã, nada de noites ou tardes também, nunca se sabe, de sexo maravilhoso e intenso. Não, chega! Namorados deste país, deixem apenas o tal aniversário de namoro pra vocês comemorarem alguma coisa, afinal a cada ano surge um evento novo que pede sempre uma “lembrancinha” – aniversário do amigo do namorado, da mãe, dia de não sei quê... além dos grandes mestres dos feriados comerciais: Natal e Páscoa (E nem pensem em me olhar com esses olhos inquisidores porque o feriado em si é sim muito comercial, ora essa... Tudo quanto é lugar fica mostrando a mesma mensagem de COMPRE COMPRE COMPRE! Não estou indo contra o apelo histórico-religioso da data não, por favor me entendam)

E é isso... e não fiquem aí pensando que esse post surgiu só porque eu nunca passei um dia dos namorados com algum namorado, não recebi ainda cesta de café da manhã, não tive um jantar romântico num restaurante... mas eu faço isso tudo de propósito, porque como as propostas e convites são tantos, o melhor é recusar todos de modo a não magoar ninguém... (hum... então ta!)

Enfim... quem é de namorado, que namore e comemore, se assim desejar!

Outro!

Eixos


Não é que eu não goste da melancolia, pelo contrário. Tanto gosto como produzo mais nesses meus estados melancólicos.

Mesmo porque, é assim que passo a maior parte do meu tempo útil e tenho passado meus anos nesta vida! Estou acostumado à melancolia. Não sei é lidar com essa tal felicidade...

São muito breves esses meus momentos que posso dizer, felizes. É um estado de espírito perigoso, misterioso e muito efêmero. Eu mesmo coleciono algumas poucas efemeridades (na ordem que for lembrando!) - ter passado no exame prático da minha habilitação de carro, não estar tendo problemas consideráveis para andar de mota, até que um emprego razoável para o momento, uma semana em São Paulo (essa é a efemeridade mais dúbia desses últimos meses!), terninho da vovó. Pra dizer só alguns mesmo.

E era para eu ter ficado um tempo considerável me sentindo feliz... Poxa, eu acho um feito e tanto essa conquista chamada CNH! Um puta esforço que estou fazendo, abrindo mão de muita coisa e depois que consegui... puf! assim mesmo... com essa onomatopéia... pronto. É só. Fui, passei e mais nada. Nem da minha parte.

É o que eu estou tentando dizer nessa minha prolixidade.

Ainda não estou habituado ou condicionado a me sentir e manter-me feliz. A melancolia ainda se mostra uma opção mais acessível. É como um dia frio ou o inverno, sabe? Me sinto mais disposto, com idéias e tudo mais. Mas não quer dizer que acharia ruim alguns dias de verão...

Ilustração Musical


Porque eu adoro essa música e ela é muito minha melancolia de agora...
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O MUNDO É UM MOINHO - Cartola

Ainda é cedo amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

Preste atenção querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és

Ouça-me bem amor
Preste atenção o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões à pó

Preste atenção querida
Em cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavastes com teus pés

Terapia...



Ao contrário do que as evidências evidenciam, não é ainda terapia intensiva de choque! rs
Vim andando do Clautro Shopping até em casa. Não só por opção, porque atrasei pra sair e por isso perdi o ônibus e se fosse ficar esperando pelo próximo ia demorar mais do que se viesse a pé, mas vim andando vendo a lua... preocupado com os relâmpagos... pensando em mim, pensando em outras pessoas também... sentindo e ao mesmo tempo não querendo sentir essa melancolia não criativa e também me sentindo cansado, esgotadinho mesmo.
Liguei para o Rafa no sentido de dar a notícia nova para ele de que possivelmente consigamos uma fotógrafa para o nosso espetáculo.
Depois fui cantando e pensando mais até minha casa.

Comi. Pães de forma e requeijão. Memória emotiva - Rio de Janeiro, entre setembro e novembro de 2005 (não lembro mês exato). Eu e o meu atual namorado da época sentados na cozinha da casa dele, em Nova Iguaçu, recém chegados da rua depois de termos batido perna no centro do Rio procurando um lugar ou alguém que comprasse meu violino. Muitos lugares, muita falação, muito medo também! Como é que eu iria embora se não conseguisse vender o tal instrumento?! Eu preocupado, sentado de um lado da mesa, ele do outro me consolando e dizendo que tudo ia terminar bem e que ele ia dar um jeito de dar tudo certo. Ele sempre falava isso e sempre acontecia mesmo! No centro da mesa, pães de forma e requeijão... Não me lembro da marca do pão nem do requeijão, mas foi a primeira vez que comi requeijão na vida e estava uma delícia, apesar de todas as adversidades. Nós dois sozinhos na casa dele, a mãe dele podendo chegar a qualquer momento e sabe-se lá o que fazer ou falar! Aquele clima que era só nosso... os olhares que se encontravam e diziam muita coisa. Desde a felicidade de estar ali até a aflição se alguma coisa errada acontecesse. E foi bem por aí... À noite veio a notícia de que a mãe dele queria que eu fosse embora de qualquer jeito no dia seguinte e nenhum depois. Fiquei louco! Sem dinheiro e com violino debaixo do braço! Choramos juntos... andamos juntos... pensando no que fazer. Comemos qualquer coisa na rua e voltamos pra casa. Dormimos. No outro dia calçamos a cara e ele pediu para o ex padrasto abonado dele a grana para a passagem. Conseguimos. E aí espera na rodoviária pelo ônibus e então um telefonema - um dos caras que viu o violino tinha encontrado um comprador e no outro dia ficaria com ele! Nem acreditei! Alívio e risos! Ele me acompanhou até o ônibus. Foi a última vez que os vi - violino e ele.

O bolo que eu fiz ficou pronto agora pouco. Vou fazer a cobertura. Hoje tá tudo tão estranho que até retomei a leitura de um livro que comprei no final do ano: O MENINO DO PIJAMA LISTRADO. Acho que me lembrei porque tinha parado de ler - Bruno, o protagonista. Sim, só isso é o bastante para quem me conhece e conhece as pessoas relacionadas comigo.

Minha amiga de longa data e muito querida deixou um recado pra mim aqui!!! Viva Viva! Será que ela vem pra cá sábado? Ninguém pergunta o que vai fazer no sábado se não tem algo armado... hum... Liguei pra ela, mas estava em aula! hehehe... esperando!

ponto... (mas acho que ainda não o final)


é... de repente não era mesmo para que nada disso viesse a acontecer.
Não fui.
Perdi o encanto, a vontade, disposição para mostrar alguém que ele não quis conhecer, uma oportunidade que ele não quis aproveitar.
Não posso querer também querer controlar vida e decisões das pessoas, em especial dele. Foi uma escolha, de nós dois. Não estou culpando, apenas sendo resignado (será?).
Mesmo que fosse, para que?
O período estabelecido por mim e para mim expirou. Agora. Exatamente 0:55. O horário em que aquele ônibus onde eu estaria está partindo.
Junto com ele mais uma frustração, decepção não sei dizer. Como se diz: está em stand-by, mas não sei dizer até quando. Não funciono com pilha alcalina...
Sem amigos. Um está dormindo por ter trabalhado de 10h ate 22h... a outra está com a namorada (que sejam muito felizes!!!) e o terceiro deve estar dormindo também pelo mesmo motivo que o primeiro.
Eu estou aqui. Preso nessa tela e a essa vida virtual que me preenche por alguns momentos, que me faz querer me expor, que às vezes me engana quando acho que vou encontrar o amor da minha vida... e vou? Acho que voltei, novamente, ao ponto de inércia. Esperando, procurando, desencanando... o de sempre.
Não é bem melancolia... é um vazio que não tenho com o que preencher agora. Mas essas palavras bastam e também basta saber que durante todo o tempo não desisti. Não virei as costas. Ofereci uma vaga ao meu lado nesse trajeto da vida, mas ele prefere por enquanto esperar. Esperemos pois...

Ilustração Musical




Todo Sentimento - Chico Buarque

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente


Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar e urgentemente

Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez

Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez

Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente

Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente

Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada
Nada aconteceu

Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu.


(Ouça a música:aqui)

Obs: melhor escolher para abrir o link numa nova janela, com o botão direto

Des(aniversário)



E hoje faz um mês desde que fiz 22 anos! O tempo passando assim sem eu nem me dar conta. Talvez por dedicar minha atenção à rotina viciosa de acordar-levantar-tomar banho-quase comer-sair-esperar o ônibus-entrar no ônibus-vir pra loja-dobrar na loja-ir embora-andar... andar... andar... (às vezes acompanhado, muitas vezes sozinho, mas sempre fumando e ouvindo música - mesmo que só eu possa ouvir)-chegar em casa-ouvir a mãe, ouvir a irmã-comer qualquer coisa-ler o jornal-ver tv-tomar banho-ir pro computador-ficar muito tempo no computador-escrever-pensar-sentir-dormir.
Hoje também faz 2 meses do encontro em São Paulo.
A troca, o toque, a boca, o corpo, o som, o beijo, o calor, lençóis, cigarros, corpos nus, banhos, os olhos, a busca, a calma, você eu, o amor... (?)
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hiato...