#O tempo - e o que fazemos com ele


Daí que meus amigos simplesmente não ligam pra mim quando digo que quero tomar chocolate quente, resolvi ir sozinho.
Fiquei numa mesa ouvindo as músicas do meu celular - que por sinal estava num momento muito inspirado no aleatório - e escrevendo... Várias páginas. Divagações que há muito não fazia.
Pensamentos indo e vindo, lembranças, projeções, até que 6 anos de história se materializaram bem na minha frente. E eu fiquei pensando no quanto de nós deixamos por aí.
Já me deixei por aí nessas palavras que escrevo, nas conversas de bar, nas ruas das cidades por onde passei, no violino que troquei para poder estar de volta, na mudança de planos, nas despedidas...

"Eu não sou daqui também, marinheiro
Mas eu venho de longe, e ainda
Do lado de trás da terra
Além da missão cumprida
Vim só dar despedida..."

E assim seguem-se os anos e a pergunta que fica é - quanto de nós fica nos outros?

#Breviações


EU: Uma coca, por favor.
ELE (sentado do lado): Sabia que coca-cola derrete os dentes?
EU (olha): Como é que é?
-chega a coca. bebe.
ELE: E também desentope pias.
EU: Seu café não é a escolha mais saudável deste lugar.
ELE: Esse café é de uso terapêutico.
EU: Minha coca é recreativa.
-termina de beber, paga e sai.
ELE: É muito feio sair sem se despedir.
EU: Você não se cansa disso?
ELE: Ser irresistivelmente cativante?
-pausa-
EU: Juro que se estivesse com tempo a gente passaria a tarde toda enumerando minhas impressões sobre você, mas preciso ir.
ELE: Tão cedo para um adeus.
EU: Seu lirismo é notável, mas não me convence às três da tarde.
ELE: E o que é preciso? Meia luz, meia garrafa de um vinho meio caro, meia música de um artista meio conhecido?
EU: Nem tanto. É só deixar a porta meio aberta.
-ônibus vindo-
EU: É com este que eu vou. (estende a mão) Aqui está o que veio buscar: até logo.
ELE: Não é bom começar algo já se despedindo.
EU: E quem disse que estamos começando algo?
ELE: E não?
-olhares, ônibus, partida-

#Breviações


PAR OU ÍMPAR

Estive ímpar por muito tempo
Até que nossas vidas paralelas
distraídas
Entraram no mesmo atalho.

Impassíveis,
Deixamos nos envolver
Unindo partes e pensamentos
Imparciais.

Partimos numa aventura
Dispostos a viver nosso sonho
E a sonhar uma nova vida
Particular.

A sorte nos empurra
Fechamos os olhos...
Temos todo o tempo
E não vamos parar.

Em busca de palavras
Descubro seu sorriso
No mistério de seu olhar
Encontro meu conforto.

Sem percebermos viramos par
Dividindo o mesmo corpo
Compartilhando o mesmo momento
Multiplicando sussurros e gemidos.
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Gabriel Chacon - 11/03/2005


#ra


Galere, meses depois de várias tentativas sem sucesso e pedidos desesperados a vários setores (informáticos ou não), consegui colocar a data nas postagens do blog.
Tudo graças ao comentário de Ruth Connors, do Expresso do Oriente.

#Música


Galere, a vibe musical do momento...

ALTAR PARTICULAR - Maria Gadú

Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz

No teu penoso altar particular

Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração

Não deixe ele vir na solidão

Encabulado por voltar a sós

Depois, que o que é confuso te deixar sorrir

Tu me devolva o que tirou daqui

Que o meu peito se abre e desata os nós

Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar

Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar

Tirar da cruz e o canonizar

Digo faço melhor do que lhe parecer

Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim

Onde ancoraste teu veleiro em flor

Sem mais, a vida vai passando no vazio

Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que cham
o de amor

#de versos e reaparições


Encontrei esse texto por acaso fazendo uma limpeza na caixa onde coloco os boletos pagos, comprovantes de pagamento e coisas sem muita funcionalidade... Palavras e construção originais. Só não me lembro ao certo a data, mas acredito que tenha sido em 2008, na loja.

E se ao invés do "não"
a boca tivesse encontrado o "sim"
Se o aperto no peito
não fosse a saudade chegando assim
Se as noites e os dias
corressem menores para eu vivê-los
Se chuva e lágrima
caíssem do mesmo jeito,
mas não com o mesmo efeito.
Ainda que não alcançasse a mão,
pudesse ter o sorriso
E se a letargia abrandasse
Meu corpo todo falasse
Essa angústia cessasse
e eu me rendesse...
A sina de desesperar
Desamparar
Desabafar

#orkut, ciúme, telefonema


Então eu estou bem quieto no meu canto, preocupado com o andar das coisas na Amarellow Port, quando recebo uma ligação de um número desconhecido. No momento não pude atender pois estava com um cliente, mas tão logo desocupei o tal número ligou novamente.

Mas era um desses pré-pagos pai-de-santo, que só recebem porque nunca tem crédito o bastante para fazer uma ligação que não seja para os números da própria operadora. Liguei de volta.

Na verdade a pessoa, ao contrário do número, era conhecida. De vista, pois não nutro nenhum tipo de afetividade por ela - neste caso ele. Um funcionário do outro shopping.

Como ele conseguiu meu número eu só fiquei sabendo bem depois, quando minha mãe me contou. Eu já estava bastante surpreso com o motivo da ligação, quanto mais saber como ele conseguiu meu número.

E o motivo - o fato de eu ter deixado um mísero e descontraído comentário em uma foto do orkut com as palavras "chúnior" ou "xunior", já nem me lembro mais.

Às vezes um apelidinho bobo opera monstruosidades numa mente neurótica e leva a pessoa a querer tirar satisfação. O que aconteceu neste caso.

Era um misto de indignação e surpresa, mas eu fiquei muito mais espantado!

Fato é que na festa de aniversário de meu amigo Rafa, passei um bom tempo junto com meu amigo Eddie e na presença do dito namorado, chamando esse menino pelo apelido e forma com que dizemos as palavras com J e G agora - usando o fonema /ch/ (se é que existe um fonema assim! rs). Por exemplo: chente, achuda, Chúlia e Chúnior.

Aí que eu resolvo postar um comentário relembrando a festa e recebo essa ligação como resposta, quédizê...

Tendo que parar meu trabalho para ouvir namorado ciumento e inseguro lamuriar pra mim... Faça-me o favor.... Como gosto sempre de salientar, prefiro os morenos altos e magros/saradinhos!

Lembrei-me dos versos:
"O ciúme doi nos cotovelos,
na raiz do cabelo,
gela a sola dos pés..."