passada rápida por aqui...



Estou lendo e praticamente terminando (acho que termino hoje mesmo) A Sombra do Vento. Simplesmente envolvente!! Uma história fabulosa (acho que é a primeira vez que uso essa palavra).

Esses últimos dias foram bastante estranhos no sentido de me deixarem mal. Minha cabeça absolutamente cheia - contra a minha vontade - de pensamentos e lembranças e aflições e frustrações e parcos desejos e desilusão que fazem com que o breve intervalo entre uma e outra, quando eu consigo durmir, seja um lugar onde não posso permanecer mais que alguns minutos.

Estou com medo de que alguma crise de ordem psicológica aconteça. Sei que tenho tendência a esse tipo de coisa, apesar de nunca ter enfrentado nenhuma muito séria por achar que eu não posso me dar ao luxo de ficar deprimido e não trabalhar e não ensaiar e não escrever. Ou seja, deixar esse eflúvio de sentimentos me dominar. E acho que seja esse medo que evita o pior.

Esse choro preso atrás de portas que não quero abrir me consome. Mas me respondam: o que fazer? Ignorar? Relutar? Camuflar? Concordar? Conformar? São dúvidas e vontades que apenas vão deixando o labirinto ainda mais enclausurador.

O que eu queria mesmo era poder ficar sozinho... apenas. De repente munido de um computador para esvaziar um pouco meu peito. Como se fosse uma bolha. Condenado à condição de ermitão urbano. Essa obrigação de me socializar desde quando eu era pequeno contra a minha vontade é o que mais pesa. Reuniões familiares (tios desconhecidos, primos cansativos... com exceção de uma, amigos de mãe e padrasto que pouco me importa saber os nomes), ambiente escolar (companheiros de sala pelos quais eu não tinha a menor vontade de manter contato - e isso na pré escola, quando a minha atual professora chamou minha mãe e disse que eu era uma criança muito sozinha e que tinha que brincar mais com os outros, conversar mais. Mas meu deus! O que eu poderia fazer se nenhum deles correspondia às expectativas que eu tinha de pessoas interessantes??) e agora o ambiente de trabalho onde estou inserido é a prova diária pela qual tenho que passar e enfrentar essa minha condição de quase sociofóbico (não que seja um medo, mas apenas a vontade de reduzir os contatos e quantidade de pessoas perto de mim). Me bastava estar na minha cama e dormir até cansar e precisar continuar dormindo... apático e a parte de tudo. Dando-me o direito de ler o outro livro que comprei e de comer alguma coisa também.

É só essa sensação de desperdício... de estar deixando muita coisa passar devido a esse estado de inércia... essa perda de tempo e potencial.

"Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa.
E qualquer desatenção, faça não,
Pode ser a gota d´água"

e só...

2 Response to passada rápida por aqui...

  1. Lalinha says:

    Ai menino, não sei nem como explicar (sei que entende), mas sei exatamente como é se sentir assim. Tem horas que o mundo me parece distante e eu me sinto perdida no meio de coisas e pessoas estranhas. Aquele sentimento de não-pertencer, sabe?
    Daí eu vou me tornando apática com tudo e com todos. Inerte, frívola, insensível e desinteressada por qualquer manifestação humana. E é incrível como sempre pensamos em ficar sozinhos, em nos isolarmos, como que para nos poupar de tanta efusão indesejada, daí vem o desejo de dormir. Às vezes tenho vontade de ler nessas horas também, como que para fugir da realidade, mas outras vezes, nem mesmo a literatura me interessa. Parece uma necessidade de me esvaziar de coisas alheias e mergulhar no meu mundo somente, aí é hora de escrever.
    Acho que tenho uma crise dessas pelo menos uma vez por mês, geralmente é no domingo-segunda. Tenho tendências depressivas também mas isso não me domina completamente, parece que ter depressão é humano demais pra mim... E eu me revolto por ser um desses seres que vivem se importando com coisas que outras pessoas nem notam. E eu duvido que todos se sintam assim, Gabriel. Conheço pessoas que vivem apenas, são tão "descomplicadas" nos sentimentos. Parece mesmo que eles estão vivendo enquanto eu estou só sentindo, e é aí que me dá esse sentimento de desperdício mesmo.

    Só que tanto eu como você sabemos que isso passa, porém volta, podemos até não viver tão despretensiosamente como as outras pessoas que devem sofrer menos, mas por outro lado, essa é uma manifestação de nossos espíritos conturbados que reagem para provar que não são alienados a esse mundo.

    Mas posso falar? Foi lindo o que escreveu, geralmente é nessas horas que o "eu-lírico" aflora mesmo.

    Outro.

  2. Serei curto e grosso.

    Amigo fique calmo, depois de sábado passa!

    Beijo.